quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

MENESTREL DA POESIA




Menestrel da poesia
De nossa cidade
Desde a sua juventude
Glosou com propriedade
Raimundo Lucas Bidinho
Um poeta de verdade

Príncipe de nossos poetas
Ninguém ousa contestar
Na viola se destacou
Mas foi no improvisar
Que Bidinho foi rei
Não podemos negar

Morreu triste e solitário
Ao lado dos parentes
E a poesia de Várzea Alegre
Ficou muito carente
Sem o nosso diamante negro
Da poesia o maior expoente

Bidinho será eterno
Pelo seu versejar
Em defesa do camponês
Sua voz a ecoar
Foi um brado forte
Que pra sempre ficará.


                                        Israel Batista

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

JOGO DA VERDADE



Em uma noite da década de noventa, dois amigos bebiam e conversavam em um boteco de uma pequena cidade do interior nordestino. Após tratar de vários assuntos e tomar inúmeras doses de cachaça, surgiu um desagradável silêncio na mesa do bar.

Para quebrar o clima, superar a falta de assunto e retomar a conversa, um dos amigos sugeriu:

- Que tal a gente começar um jogo? Cada um conta um segredo pro outro. 

- Tá certo, então comece você que teve a idéia - respondeu o outro.
- Vou começar. Deixa eu pensar.... Ninguém sabe, mas eu já fui corno três vez...

Já arrependido com a revelação, o afoito perguntou:

- Agora me diga você, qual o seu?

O segundo jogador tomou mais uma dose de cachaça, olhou fixamente para o inocente companheiro e falou:

- Macho véi, num leve a mal não. Eu sou chateado com isso, mas meu segredo é que eu tenho um problema grave. Eu num consigo guardar segredo de ninguém...

Colaboração: Francisco de Assis Pires Filho

Flávio Costa Cavalcante

http://pedradeclariana.blogspot.com.br/

Um Mestre da Poesia Popular




  Um celeiro de poetas: Várzea-Alegre. Torrão em que todos ou quase todos se não são poetas são capazes de criar versos, mesmo uma quadrinha, uma paródia, mas há de apresentar a rima. Rincão de rimadores. Terra de grandes e bons poetas. Desde antigamente aos nossos dias. Não citarei nomes (pois são tantos) já que o objetivo maior é referir-me àquele que conquistou com o seu instinto poético o respeito e a admiração daqueles que o conheceram ou que de alguma forma estiveram em contato com o seu versejar simples, mas de beleza ímpar: Raimundo Lucas Bidinho ou simplesmente Bidim. Poeta para qualquer momento, qualquer tema ou qualquer pilhéria. De teor rico nos dizeres e mais belo no seu declamar. Brincava de poetar (para os que o conheceram), mas respeitoso com o rigor à forma expressiva da poética popular.
  Até quando brincava com as pilhérias de amigos o fazia com a dignidade dos grandes e dos profundos conhecedores naquilo que se propõe a realizar. A aparente lentidão ao dedilhar a viola não condizia com a rapidez no pensar, contribuindo para com suas magníficas rimas de metrificação perfeita. Linguajar simples, mas de um vocabulário rico e fértil para quem sequer concluiu as primeiras letras. Uma capacidade louvável como poeta e admirável como pessoa, além da sua paixão em defesa das causas ruralistas. Um Nordestino, Cearense e Varzealegrense com sensibilidade incomum de um lutador pelas causas que o sensibilizavam. Dignidade no dizer, no fazer e acima de tudo no pensar. Aos novos poetas a herança de como exprimir o seu amor á terra onde nasceu e desenvolveu o talento nato da poesia popular descompromissada, responsável, e não esquecendo a alegria e o bom-humor tão característico desse riacho do machado.


Francisco Assis Costa

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

MUNDINHO DA VARJOTA




  Esse personagem folclórico de Várzea Alegre ficou conhecido, e ao mesmo tempo anônimo, pelo seu jeito rude e sua ignorância, foi atribuída muitas delas ao caririense Seu Lunga. Mas isso não tirou e nem tirará o prestígio de Raimundo Cardoso, que todos conheciam por Mundinho da Varjota. Ele casado com Cecília Cardoso, uma mulher que podemos dizer que tenha se santificado, pois agüentar as respostas bruscas que ele dava, tem que ter muita paciência. Conta-me um amigo meu Raimundo Nonato uma história que ocorreu no estádio Juremal, “ele sempre nas partidas de futebol ia vender dindim (gelinho, juju em algumas localidades), e Genivan sabia que ele era ignorante, e fez a pergunta obvia a Mundinho, se ali naquele isopor tinha dindim, isso três vezes, na terceira vez ela já irado respondeu, não ta vendo que tem dindim aqui seu filho duma égua, rebolando a caixa no chão aonde voou dindim e moedas pelo chão, os meninos caíram em cima, pegando o dinheiro e os dindins e ele com raiva foi pra casa.” Esse era Mundinho, tem histórias engraçadas que dava pra fazer um livro.
  Mundinho era um exímio consertador de bolas de futebol, todos que tinham problemas nas bolas, iam pedir para ele consertar, só que tinha que ter cuidado com a maneira de se expressar, pois poderia levar uma resposta indesejada. Foi um personagem que Várzea Alegre esqueceu, mas como eu sempre digo a cultura varzealegrense é riquíssima, e fica difícil da gente catalogar, pois pode cometer injustiças e esquecer alguém. Pois pode ter gente que não consideramos nada, mas pra muitos ele é uma figura importante, por isso eu aprendi a pesquisa primeiro e ver o histórico dessa pessoa, com isso não cometerei injustiças. Deus me deu o dom de escrever, com ele vou descrevendo as pessoas que ficaram no passado, que acho que deram uma parcela de contribuição pra cultura dessa cidade Várzea Alegre.
  Pouco sabemos de dados pessoais do Mundinho, sempre víamos esse casal povoando nossa cidade, mas como digo, continuarei minhas pesquisas e descobrirei mais sobre Mundinho da Varjota, uma coisa tenho certeza, não podemos olvidar a sua pessoa, como de muitos personagens que povoaram Várzea Alegre, que aqui citarei: “Bugui, Maria Edite, Degue-Degue, Catingueira, Chico Cego, Chico de Cecília, João Fósforo, Maria Saruê, o músico Zé Pelado.” Enfim são muitos os que povoam a cultura varzealegrense  de personagens folclóricos. 
  Com esse meu escrito reverencio a memória de Mundinho da Varjota, sei se ele tivesse vivo e perguntasse a ele: “Mundinho o que tu achou desses Escritos?” com certeza ele responderia: “Eu não achei nada, não tava perdido e você foi quem me mostrou.” Uma verdade, pois não tava perdido, tava em meu caderno, esse foi MUNDINHO DA VARJOTA, que por dentro tinha um grande coração, mas não suportava perguntas bestas.

Israel Batista         

VÁRZEA ALEGRE E A CULTURA DOS CONTRASTES




  Várzea Alegre uma pequena cidade do sertão cearense, que dista uns 400 km de distância de nossa capital Fortaleza. Conta-nos a história que no princípio do século XVIII, dois irmãos portugueses, o capitão Agostinho Duarte Pinheiro e o alferes Bernardo Duarte Pinheiro, chegando ao Ceará, associaram-se com o cearense Vasco da Cunha Pereira, para solicitarem umas datas de sesmarias às margens do riacho do Machado, naquela época denominado riacho do Coroatá. Por despacho de 23 de fevereiro de 1718 foi lhe concedida à data citada, numa extensão de nove léguas, com uma légua para cada lado do referido riacho.
Decorridos aproximadamente dois anos, acompanhados de alguns amigos, resolveram fazer uma excursão ao longo de sua propriedade; chegando ao local onde existia uma lagoa, toda circundada por floresta virgem, onde havia pássaros em grande quantidade e de várias espécies, ficaram parados, a contemplar aquela paisagem maravilhosa, divisando uma bela planície de adorável clima e escutando aquele cantar alegre de pássaros; um dos componentes da caravana, admirado com aquele belo e magnífico panorama, proferiu essa concisa e significativa frase: “Que Várzea Alegre!”. Essa frase impressionou a todos que sugeriram que o nome fosse colocado no lugar. Daí originou-se o nome de Várzea Alegre, que foi evoluindo, de fazenda a povoação, a vila, a distrito e até chegar à cidade, e conservou esse nome até os dias atuais sem nunca ter mudado, se tornando um dos poucos municípios que nunca trocou de nome.
  Nossa cidade é rica em cultura em cada beco se encontra um artista, mas tem um fato que ocorreu em nossa cidade que o projetou nacionalmente. No meado do século vinte em nossa pacata cidade nasceu um cidadão por nome de José Clementino. O tempo foi passando, e ele vendo esses casos engraçados e pitorescos, decidiu musicar, e ao terminar a sua obra mostrou ao nosso rei do baião Luiz Gonzaga, que decidiu gravar a música “Os contrastes de Várzea Alegre”, que projetou Várzea Alegre definitivo no Brasil inteiro cognominado de ‘Terras dos contrastes’. Daí por diante a população resolveu aderir esta alcunha que estes contrastes estavam atraindo turistas para conhecerem essa famosa terra. Várzea Alegre hoje se orgulha de seus contrastes, muitos se têm falado aonde um varzealegrense chega já divulga esses contrastes. Quando estamos em outras cidades já nos indagam: “qual o novo contraste?” e por aí vai, e o varzealegrense que é apaixonado por sua terra vai desfilando seus causos sem inventar, mas aumentando.
  Hoje Várzea Alegre tem uma cultura sólida, não é só contrastes que fazem a nossa cultura. Nela temos violeiros, poetas, compositores, pintores, Artistas plásticos, radialistas e jornalistas conhecido em todo Brasil, mas sinto que uma parte precária de apoio é área literária, falta ainda um incentivo maior, e Várzea Alegre é um grande celeiro de poetas, cronistas, romancista e trovador. Temos grandes repentistas, que talvez jazam no esquecimento, temos que pedir para as autoridades competentes que olhem para esses artistas, pois a arte poética é a arte mais bela que existe na humanidade. E nesse memorando venho mostrar um pouco da cultura de nosso povo. Na poesia temos Bidinho (in memorian), Miguel Alves de Lima (in memorian), Joaquim José de Oliveira (in memorian), Israel Batista (também cronista), Cláudio Sousa, Antonio de Oliveira (violeiro), Sinésio Cabral dentre outros. Na prosa temos Padre Vieira (in memorian), doutor José Ferreira (in memorian), Irandé Antunes, Irismar Araripe, Paulo Sérgio Viana Bezerra, etc. Temos que valorizar todas as artes artísticas para que não se crie um novo contraste pejorativo. Várzea Alegre ser a única cidade do estado que não valoriza a sua cultura.

ISRAEL BATISTA 

MEMÓRIAS ESCOLARES




 Existe sempre um ano em nosso viver, que por nós jamais se acabaria, e é nesse mesmo período, aonde você cultiva uma legião de amigos, que perdurarão por toda sua vida. Comigo em si foi toda a década de oitenta, onde eu vivia a minha infância e adolescência. Destaco como amigos daqueles áureos anos, o Tiziu, Carlos César, Hermógenes e Eduardo Balbino, Marlene Correia, Sérgio Borges, Gerson, Cleomar Gonçalves, Edval, Diolina, Gabriel, Vicente Pereira, Dalice, Ivani, Carlos César (Hoje padre), Elza Bezerra, Valdísio, Sóro, Gizalda, Luiz Batista (In Memorian), Rejane e Sua irmã Betânia e muitos outros que me fogem a mente, pois eu fui o maior cultivador de amizades.
Mas no meu período escolar, teve uma classe da quarta série da escola Presidente Castelo Branco, que foi uma turma inesquecível, que ainda hoje me são amigos caros. São quarenta e seis contando comigo, hoje estão espalhados por todo o Brasil, mas os laços de amizades ainda hoje nos unem, pois foi uma amizade verdadeira e profícua. Nessa classe rolaram de tudo, palhaçadas, paqueras, romances, briguinhas e muita vontade de estudar. Nesta sala tinha o aluno pior e o aluno estrela do turno tarde. Israel e Nonato esses dois competiam pra saber qual seria o mais bagunceiro daquela sala de aula, já no extremo tínhamos Luiz José, Sidneide, Isla Mônica, Cleide Carneiro e Maria Alcântara procurando saber quem tirava as melhores notas desta classe.
  Mas como diz a música, amigo e companheiro do Balão Mágico: “mas a Escola é a luz que ilumina os caminhos da gente.” Foi com certeza a luz que iluminou até os dias atuais, pois naquele tempo em que nós estávamos abrindo os olhos da cegueira do analfabetismo. Muito deles hoje não conseguiram se realizar profissionalmente, mas encontrou uma maneira de se sustentar na vida, pra si e sua família. Uns sonharam ser doutor, outros artistas, enfim cada um tinha um sonho a realizar no futuro, se não conseguiram, não deixou nenhum deles frustrados, pois eles venceram na vida só que de outra forma, e hoje os que têm filhos o educam e fazem de tudo para que eles se realizem nos seus sonhos.
  Quarenta e seis alunos, quarenta e seis cabeças pensando diferente, pois como disse Raul Seixas: “cada um de nós é um universo.” Mas a única particularidade que tinham em comum, era só o desejo de estudar. Mas como eu disse cada um tinha a sua maneira de se portar na classe, uns eram um poço de aborrecimentos, outros palhaçada em geral, outros uma simpatia sem igual, já tinha outros que só iam no intuito de estudar e não se ligar nas travessuras dos demais. Por isto essa classe foi marcante no meu ponto de vista, e acho que cada um devia escrever as memórias de sua vida, se for interessante publique para que todos venham conhecer a sua historia, a dessa turma está aqui descrita e eu espero que vocês gostem boa leitura, e saiba as memórias é a melhor coisa para documentar e recordar o passado.

  Israel Batista        

UMA LÁGRIMA DE SAUDADE




  Que engraçado essa nossa vida! A gente nasce, e enquanto criança convivemos com uma realidade, vemos tantos rostos que nos tornam familiares, gentes que convivem conosco, ao nosso redor, que nos faz acostumar com essas pessoas. São crianças, jovens e adultos (velhos), e a gente vai crescendo, e os jovens vão envelhecendo, os velhos morrendo e vai surgindo novas pessoas daqui e vindo de fora, e formam novos rostos que vão substituindo aqueles rostos antigos e familiares, que mesmo a gente se acostumando com aquelas faces novas, os antigos ainda nos dar bastantes saudades.
  A população sempre fica se renovando, todo dia nasce e morre gente, pois o ciclo da vida não para, daqui em breve eu serei findo, e a quem me conheceu eu serei apenas uma recordação, e surgirá outro que preencherá a vaga de amigo por mim deixado. Assim é a vida desde os primórdios, umas pessoas deixam muitas saudades, outras um grande alívio, nos dói muito à perda, mas isto é o natural dessa vida e mesmo sem querer nos acostumarmos, isso sempre ocorrerá, faz parte desse ciclo vital.
  Uma coisa que ainda consegue amenizar a dor que sentimos é a fotografia, nela está registrada uma imagem, um momento bom que vivemos no passado. E eternizam rostos que não estão mais entre nós, isso nos alivia um pouco a dor da saudade que em nosso peito fica alojado, para mim a foto foi a maior invenção do ser humano pois eterniza uma imagem de um lugar, de uma pessoa, de um momento, para que na posteridade, os mais novos que não viveram esse tempo ou não conheceram a pessoa registrada, possam a partir desse momento conhecer olhando a fotografia. Essa arte foi tudo iniciado pelo retrato fosco, pintado pelo inteligente pintor, até a foto digital que capta nitidamente a imagem da pessoa como se tivesse viva.
  Um sábio pensador assim falou: “Tudo passa, mas a fotografia fica”. Uma realidade, eu passarei, você passarás e todos passarão, mas a fotografia, esse pedaço de papel que eterniza uma pessoa, um lugar ou qualquer coisa, permanece ali. Hoje em minha casa, folheando os álbuns, eu viajo no tempo, por lugares e ao lado de gentes que nunca vi e nem conheci, compartilho a felicidade que aquelas pessoas estão vivenciando, uma coisa interessante, é se um dos personagens dessa foto está presente, pois ela narra aquele momento, e você visualiza na fotografia. A fotografia é um elixir para aliviar a dor da saudade, pois quem tem sentimentos, sempre derrama uma lágrima de saudade, saudade de um tempo que passou, mas ficou eternizado pela fotografia.

Israel Batista

DOUTOR JOSÉ FERREIRA




  Para mim foi uma tristeza não ter conhecido essa pessoa, José Correia Ferreira, doutor José Ferreira. Segundo filho do casal Antonio Ferreira e Metilde Correia, ele nascido em 31/12/1913 às 23h45min na cidade de Várzea Alegre no Ceará. Zé Ferreira era um homem espirituoso, brincalhão e também muito caridoso, ele quando adulto tornou-se o segundo médico formado de sua cidade, primeiro tinha sido seu tio Doutor Leandro Correia.
  Depois de formado em Recife, foi clinicar em Várzea Alegre, passou alguns anos, depois se mudou para Fortaleza, de lá partira para Olinda em Pernambuco aonde fixou residência ficando até seu falecimento, aos 78 anos de idade. Nesse ano se vivo fosse, estaria completando cem anos de vida, sei que sua terra não irá festejar porque ele construiu a sua vida médica e literária em outro estado, no estado de Pernambuco, mas que demonstrou todo o seu amor por Várzea Alegre e por sua família, em seu festejado livro “Várzea Alegre, minha terra minha gente”. O que fez sua cidade natal não lhe esquecer por completo.
  Doutor José Ferreira casado com a senhora Maria José Travassos Sarinho, onde com ela teve quatro filhos, Célia Maria, Metilde Maria, Roberto e Ana Maria. Zé Ferreira para quem conheceu a sua literatura pode sentir a facilidade com que se expressava, nos fazendo curtir uma literatura gostosa e porque não prazerosa? Dois mil e treze, há cem anos vinha ao mundo esse médico que com seu carisma, conquistava a todos que o conhecia, todos os anos ele ia a sua cidade natal, rever parentes e amigos conterrâneos, mas estando por lá, não deixava de consultar, aquela gente desprovida de poderes aquisitivos. Zé era uma pessoa muito brincalhona, que o fazia ser a alegria nas rodas de amigos. Mas também era um homem caseiro, que colocava sua família em primeiro lugar.
  Hoje eu sou um admirador da pessoa do Doutor José Ferreira, e vou guardar essa frustração em meu coração por não ter conhecido o Doutor José Ferreira, mas seus livros para mim são de leituras obrigatórias, pois é prazeroso ler o que ele escreveu. É isso doutor José Ferreira, sua missão aqui na terra foi cumprida e seus familiares rememoram seu centenário nesse ano de 2013 que ora se inicia.

Israel Batista

JOÃO TONHEIRO



  Eu ontem dia 26 de janeiro, fui fazer uma visita ao senhor João Ferreira de Sousa, que é popularmente conhecido por João de Pedro Tonheiro, e uns mais desavisados chamam de João Tonheiro. Confesso que fiquei muito triste, quando o avistei ali deitado em sua cama, nem parecia aquele senhor que conheci que ficava na calçada sentado, vendo os transeuntes passarem, ele fumando seu cigarro e tomando suas dosezinha de cachaça, e hoje naquele leito, tornando-se dependente de soros, para que se prolonguem seus dias em nosso meio. Mas mesmo com esses percalços, ele ainda é muito conversador, e aparenta ter aceitado a sua condição de moribundo.
  Quem conheceu João no passado sabe. Que ele ficou bastante famoso como os corujões, três jovens senhores que trocaram a noite pelo dia, da qual só ele que ainda está entre nós, contando esses causos das antigas noites varzealegrenses. Jesus Fotógrafo, Joaquim de Paulo e ele, esses três gozaram a vida como pode, tudo que acontecia durante a noite os três sabiam, pois à noite era a sua companheira boemia. João pode-se dizer que aproveitou a vida o máximo que pode, acho que adivinhando como seria o seu final.
  Ao sair de lá, em que ele me desejou muitas felicidades, que eu fosse bem feliz em minha vida, aqui ou em Recife, senti que poderia ser uma despedida, daí senti uma dor no peito, um aperto no coração, creio que poderá ser sim, pois ele que ta com seus oitenta e seis anos, naquela situação, creio que não terá mais melhora, ele mesmo me afirmou ontem, “não tenho melhora não, acho que é o fim.” O que temos é que colocar ele em orações e pedir a Deus que tenha compaixão de João e perdoe as coisas ruins que ele praticou em sua mocidade.
  Quem viveu na década de setenta e oitenta, sabe do que estou falando, e conheceu esses três personagens que integraram os corujões. João, Joaquim e Jesus, e aqui nesse descritos meu, eu presto essa homenagem a esse homem, não por ele ter feito parte da cultura folclórica de Várzea Alegre, mas pelo homem bom e pelo parentesco que nos unem por isso me aproximei dele, da qual também fomos vizinhos. Sei que João para a maioria da população dessa cidade Várzea Alegre, não deixará saudades, nem terá uma homenagem vultosa, mas e daí? O que importa é que ele seja eternamente lembrado, pelos que a ele foram caros, pois como diz o dito “uma pessoa não morre, enquanto tiver bastante viva nas lembranças daqueles que o amou na terra”. E João é bastante querido dos seus filhos e sobrinhos e amigos o tinham bastante admiração. Pois é João, se a gente não se encontrar mais, quero que saiba, eu jamais vou esquecer a sua pessoa, Deus vos abençoe, e quando partires dessa vida, que Deus vos encaminhe a um lugar de paz, amor e que venha a descansar em paz.

Israel Batista

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012