quinta-feira, 7 de março de 2013
O Casamento do Moacir
A turma da favela convidaram-nos
Para irmos assistir
O casamento da Gabriela co Moacir
Aranjemos uma beca preta
e um sapato branco bem apertado no pé
E se apreparemos para ir
Na catedral lá da Vila Ré
Quando os noivos estava no altar
o padre começou a preguntar
as coisas assim em latim:
-Quarqué um de vódes aqui presente
tem arguma coisa de falar contra esses bodes?
-Seu padre, apára o casamento.
O noivo é casado, pai de sete arebento, fora o que está
pra vim. O pai é esse aí, o Moacir
Que vexame, a noiva começou a soluçar
Porque o noivo, já passou no exame nupciá
Já acabou-se a festa, porque nóis descobriu
O Moacir era casado cinco veis lá no estado do Rio...
Osvaldo Moles e Adoniran Barbosa (João Rubinato), 1967
http://pt.wikipedia.org/wiki/Adoniran...
BIOGRAFIA DE SÉRGIO SAMPAIO
Biografia
Sérgio Moraes Sampaio (Cachoeiro de Itapemirim, 13 de abril de 1947 — Rio de Janeiro, 15 de maio de 1994) foi um cantor e compositor brasileiro. Suas composições variam por vários estilos musicais, indo do samba e choro, ao rock'n roll, blues e balada.[1] Sobre a poética de suas composições, em que se vê elementos de Kafka e Augusto dos Anjos, que lia e apreciava,[2]
declarou num estudo Jorge Luiz do Nascimento: "A paisagem urbana em
geral, e a carioca em particular, na poética de Sérgio Sampaio, possui a
fúria modernista.
Porém, o espelho futurista já é um retrovisor, e o que o presente
reflete é a impossibilidade de assimilação de todos os índices e ícones
da paisagem urbana contemporânea."[3]
No dizer do cantor Lenine, Sampaio foi um nome marginalizado que equipara a Tim Maia e Raul Seixas, como um dos "malditos" da música popular brasileira.
Filho de Raul Gonçalves Sampaio, dono de uma tamancaria e maestro de banda, e de Maria de Lourdes Moraes, professora primária, era primo do compositor Raul Sampaio Cocco, autor de sucessos na voz do conterrâneo Roberto Carlos. Ali assistiu o pai compor a canção "Cala a boca, Zebedeu", quando tinha 16 anos e que veio a gravar mais tarde.[4]
Tocando violão, era um artista nato que buscava mostrar seus trabalhos -
"Ele estava sempre sedento para mostrar suas músicas, precisava de uma
orelha e nunca fez doce para tocar", como registrou seu primo João
Moraes.[1]No dizer do cantor Lenine, Sampaio foi um nome marginalizado que equipara a Tim Maia e Raul Seixas, como um dos "malditos" da música popular brasileira.
Aficcionado pelos programas de rádio, onde acompanhava os cantores da época como Orlando Silva, Sílvio Caldas ou Nelson Gonçalves, que o inspiravam, veio a tornar-se imitador de radialistas como Luiz Jatobá e Saint-Clair Lopes, conseguindo trabalho numa emissora da cidade natal, a XYL-9. Em 1964 tentou trabalhar no Rio de Janeiro na Rádio Relógio, retornando após quatro meses.[4]
Em fins de 1967 muda-se definitivamente para o Rio, inicialmente para tentar a carreira como radialista[4], embora não tenha conseguido firmar-se em nenhum trabalho por frequentar a vida boêmia carioca, atraído pela música e a bebida; mora em pensões baratas e até na rua, chegando a mendigar comida.[2][5]
Sergio tinha passado a cantar à noite, em bares, até que em fevereiro de 1970 demite-se da Rádio Continental para dedicar-se integralmente à música. Candidata-se no Festival Fluminense da Canção, etapa do Festival Internacional da Canção (III FIC) daquele ano, ficando entre os vinte finalistas com a música "Hei, você".[5]
No Rio de Janeiro conhece o baiano Raul Seixas, então produtor musical da gravadora CBS (atual Sony Music), dando início a uma longa amizade e parceria.[2] Raul é considerado o "descobridor" do artista.[2] Após ter feito um teste junto ao parceiro de Paulo Diniz, Odibar, acabou contratado no lugar deste, no ano seguinte, participando de diversas gravações, como parte do coro de Renato e seus Blue Caps.[5]
Assina, com o pseudônimo de Sérgio Augusto, a letra da canção "Sol 40 graus", gravada pelo Trio Ternura e que foi sucesso em 1971. O Trio gravou outras de suas composições, como "Vê se dá um jeito nisso" - uma parceria com Raulzito, com quem partilhou também "Amei você um pouco demais", gravada por José Roberto. Raul produz seu primeiro compacto em que Sergio experimenta algum sucesso com "Coco Verde", logo regravada por Dóris Monteiro.[5]
Volta a Cachoeiro em julho, onde participa do "II Festival de MPB", vencendo em primeiro lugar e ocupando também a quarta colocação. Dá início com Raul Seixas à produção de um projeto de ópera-rock, que tem as letras mutiladas pela censura do Regime Militar. Apesar disto as canções integram o primeiro disco de Raul Seixas: Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das Dez, em que participam Míriam Batucada e Edy Star.[5]
Tenta mais uma vez vencer a quarta edição do FIC, no Maracanãzinho, com a música "No Ano 83", sendo eliminado na etapa inicial.[5]
Começa a gravar, finalmente, em 1972, ano em que sua canção "Eu quero é botar meu bloco na rua" participa do IV FIC e integra um compacto do Festival, que graças a ela vende 500 mil cópias, tornando-se sucesso no carnaval de 1973, e rendendo a Sergio o Troféu Imprensa como revelação de '72, na Rede Globo, emissora em que trabalhava o apresentador Silvio Santos.[5]
Em 1973 lança seu primeiro LP pela Philips, produzido por Raul e com o nome da canção de sucesso, com vários músicos de renome; o disco fracassa nas vendas, apesar da sua aparição em programas de televisão e da boa execução de canções como "Cala a boca, Zebedeu", de seu pai, nas rádios.[5]
Casou-se em 1974 com a também capixaba Maria Verônica Martins, afastando-se da carreira por algum tempo; o casamento durou até o final da década.[4] Tinha lançado, neste ano, com produção de Roberto Menescal, um compacto em que contraditoriamente reverencia e critica o conterrâneo Roberto Carlos.[5]
Em 1975 lança, agora pela gravadora Continental, outro compacto. No ano seguinte grava seu segundo LP, chamado "Tem que acontecer", e que conta com participações de artistas como Altamiro Carrilho e Abel Ferreira. Em 1977 mais um compacto pela Continental - "Ninguém vive por mim", último por essa gravadora. Realiza shows e tem composições gravadas por artistas como Zizi Possi, Marcos Moran e Erasmo Carlos, ficando cinco anos longe dos estúdios.[5]
Novamente se casa em 1981, com a arquiteta Ângela Breitschaft, com quem teve o filho João, afilhado de Xangai, separando-se em 1986.[4] A família da esposa patrocinara, em 1982, a gravação do compacto "Sinceramente", sem gravadora.[5]
Completamente afastado da mídia, após a separação volta para a casa paterna e em seguida para o Rio. A carreira só experimenta um recomeço quando se muda, no começo da década de 1990 para a Bahia, quando velhos sucessos são novamente lançados por Elba Ramalho, Luiz Melodia, Roupa Nova e outros. Em 1994 acerta com a gravadora Baratos Afins o lançamento de um disco com músicas inéditas, mas por consequência da vida desregrada, falece de pancreatite antes de concretizar o projeto.[5]
Homenagens
Ainda em 1975 tem um curta-metragem sobre sua vida exibido no Rio de Janeiro. Diversas homenagens ocorreram ao longo do tempo, em memória do artista, dos quais se destacam:[5]- Show "Balaio do Sampaio" - 1996, Rio de Janeiro, com cantores como Alceu Valença, Jards Macalé e outros, e poetas e músicos como Chico Caruso, Euclides Amaral, etc.
- CD "Balaio do Sampaio" - 1996.
- "Eu quero é botar meu bloco na rua" - 2000, biografia autorizada, por Rodrigo Moreira, Editora Muiraquitã
- CD póstumo "Cruel" - 2005, lançado por Zeca Baleiro
- "Velho bandido - O bloco de Sérgio Sampaio" - 2009, peça musical apresentada no Teatro de Arena.
- CD "Hoje Não!" - 2009, 12 canções do Sérgio Sampaio (sendo uma delas inédita) interpretadas por Juliano Gauche & Duo Zebedeu.
Discografia
Álbuns
- Eu Quero É Botar Meu Bloco na Rua (LP, Philips, 1973)
- Leros e Leros e Boleros
- Filme de Terror
- Cala a Boca, Zebedeu (Raul Sampaio)
- Pobre Meu Pai
- Labirintos Negros
- Eu Sou Aquele que Disse
- Viajei de Trem com participação de Raul Seixas
- Não Tenha Medo, não
- Dona Maria de Lourdes
- Odete
- Eu Quero É Botar Meu Bloco na Rua
- Raulzito Seixas
- Tem que Acontecer (LP, Continental, 1976, reeditado em CD pela Warner Music em 2002)
- Até Outro Dia
- Que Loucura
- Cada Lugar na Sua Coisa
- Cabras Pastando
- Velho Bode (Sérgio Sampaio/Sérgio Natureza)
- O que Pintá, Pintô
- A Luz e a Semente
- Quanto Mais
- Tem que Acontecer
- O Filho do Ovo
- Velho Bandido
- O Teto da Minha Casa
- Ninguém Vive por Mim
- Quatro Paredes
- Sinceramente (LP, 1982)
- Homem de Trinta
- Na Captura
- Tolo Fui Eu
- Só para o Seu Coração
- Essa Tal de Mentira
- Meu Filho, Minha Filha
- Cabra cega (S. Sampaio/S. Natureza)
- Sinceramente
- Nem assim
- Doce Melodia
- Faixa Seis
- Cruel (CD, 2006)
- Em Nome de Deus
- Roda Morta (Reflexões de um Executivo) (S. Sampaio/S. Natureza)
- Polícia Bandido Cachorro Dentista
- Brasília
- Magia Pura
- Rosa Púrpura de Cubatão
- Muito além do Jardim
- Real Beleza
- Pavio do Destino
- Quero Encontrar um Amor
- Quem É do Amor
- Cruel
- Uma Quase Mulher
- Maiúsculo
Antologias e participações
- Sociedade da Grã-Ordem Kavernista Apresenta Sessão das 10 (LP, CBS, 1971)
- Êta Vida (com Raul Seixas)
- Eu Vou Botar pra Ferver (com Raul Seixas)
- Eu Acho Graça
- Chorinho Inconsequente (com Erivaldo Santos)
- Quero Ir (com Raul Seixas)
- Todo Mundo Está Feliz
- Eu não Quero Dizer Nada
- Carnaval Chegou (LP, 1972)
- Eu Quero É Botar Meu Bloco na Rua (primeira gravação)
- Phono 73 (LP, 1973)
- Eu Quero É Botar Meu Bloco na Rua (ao vivo)
- Convocação geral nº 2 (LP, 1975)
- Cantor de Rádio
- Balaio do Sampaio (CD, 1998)
- Eu Quero É Botar Meu Bloco na Rua - Sérgio Sampaio
- Em Nome de Deus - Chico César
- Feminino Coração de Deus - Erasmo Carlos
- Rosa Púrpura de Cubatão - João Bosco
- Tem que Acontecer - Zeca Baleiro
- Meu Pobre Blues - Zizi Possi
- Pavio do Destino - Lenine
- Até Outro Dia - João Nogueira
- Velho Bode - Eduardo Dusek
- Que Loucura - Renato Piau
- Velho Bandido - Jards Macalé
- Cala a Boca, Zebedeu - Luiz Melodia
- Eu Quero É Botar Meu Bloco na Rua - Elba Ramalho
- Sergio Sampaio (CD, 2002)
- Até Outro Dia
- Que Loucura
- Cada Lugar na Sua Coisa
- Cabras Pastando
- Velho Bode
- O Que Pintá, Pintô
- A Luz e a Semente
- Quanto Mais
- Tem que Acontecer
- O Filho do Ovo
- Velho Bandido
- O Teto da Minha Casa
- Ninguém Vive por Mim
- Quatro Paredes
Compactos simples
- Coco verde/Ana Juan (1971) CBS
- Classificados nº 1/Não adianta com participação de Raul Seixas (1972) 33745
- Eu quero é botar meu bloco na rua (1972) Phillips/Phonogram
- Meu pobre blues/Foi ela (1974) 6069 090
- Velho bandido/O teto da minha casa (1975) 1-01-101-155
- Ninguém vive por mim/História de boêmio (Um abraço em Nélson Gonçalves) (1977) 101-101-264
Videografia
fonte Wikipédia
quarta-feira, 6 de março de 2013
PARA SEMPRE O MEU AMOR
Ao te ver passar
Meu coração palpitou
Senti minhas pernas tremer
E meu corpo desmoronou
não sei o que aconteceu
Meu mundo então parou
Você veio para coroar
A minha vida de Ilusão
Que antes era cercada
de Uma grande solidão
És a flor perfumosa
Que me enche de Unção
Obrigado meu amor
Por você existir
Fazendo-me então sorrir
Eu te amo tanto
E não te deixarei partir
Se você partir
Partirá meu coração
De tristeza ficará
E a temida solidão
voltará a me seguir
Aumentando a desilusão
Agora posso dizer
Cheio de esplendor
que acabou no meu peito
Toda mágoa e dor
que você para sempre será
O meu verdadeiro amor.
terça-feira, 5 de março de 2013
O OURIÇO-CACHEIRO DAS REGIÕES CAMPESTRES
Uma névoa branca encobria o vale do Tyne
(norte da Inglaterra) e o grito das gralhas-calvas ecoava longe no silêncio do
anoitecer. Caminhando por uma trilha na floresta, de repente um ruído nas
folhas coloridas de outono caídas ao chão chamou minha atenção. Só consegui ver
de relance as finas patas traseiras de um pequeno animal sumir numa fenda na
margem seca do rio por onde eu passava.
Olhando mais de perto, avistei um
ouriço-cacheiro preparando cuidadosamente a sua toca para o inverno. Ele já
tinha levado ao local folhas, capim e musgo secos, e agora estava forrando o
ninho para o seu sono hibernal.
O ouriço* é um bichinho gracioso que vive nas
colinas, nos prados e nas florestas. Seu aspecto é inconfundível: o pêlo da
cabeça e do pescoço é grosso e marrom-esbranquiçado, mas o que mais chama
atenção são os espinhos protetores de pontas amareladas. Os espinhos
pontiagudos têm cerca de dois centímetro de comprimento e estão dispostos em
grupos que irradiam do mesmo ponto, recobrindo a pelagem eriçada do dorso. Cada
espinho tem entre 22 e 24 sulcos longitudinais e cresce quase que em ângulo
reto em relação ao dorso e flancos. Perto da base, cada espinho tem uma curva
acentuada, de modo que, se o animal cair de certa altura, ele conseguirá
sobreviver porque os espinhos não lhe perfurarão a pele. Que maravilha de projeto!
Quando pressente o perigo, o ouriço-cacheiro
se enrola todo e vira uma bola, seus fortes músculos repuxam a couraça
espinhenta que então envolve o animal por inteiro, semelhante uma mochila de
pano quando se puxa a alça. Essa camada protetora cobre a cabeça, a cauda, as
patas e as partes inferiores com uma manto de espinhos. Ele consegue ficar
nessa posição defensiva por bastante tempo.
Inimigos
naturais e outros
À exceção da raposa e do texugo, o
ouriço-cacheiro tem pouquíssimos inimigos naturais. Com suas poderosas garras,
o texugo desenrola um ouriço com a maior facilidade e é imune aos seus
espinhos. Já por várias vezes encontrei pelo campo pele de ouriço-cacheiro –
provavelmente a única coisa que restou do jantar de um texugo. A raposa, por
outro lado, não pode com os espinhos, mas tenta rolar o ouriço para a água,
onde este é obrigado a se desenrolar para não se afogar. Sendo um bom nadador,
o ouriço tem boa chance de escapar, escondendo-se nas rochas ou num buraco na
margem antes que a raposa o pegue.
Ciganos e pessoas que moram em zonas rurais
comem ouriços assados no barro. Quando o barro esfria e é quebrado, os espinhos
se desprendem da carne – um “prato delicioso”, segundo o livro the gypsies (os
ciganos), de Jean-Paul Clébert. Hoje em dia, é triste ver um grande número
desses animais serem atropelados nas estradas. Eles parecem mais vulneráveis
logo que acordam da hibernação e começam a procurar alimento. Mas se o ouriço
consegue sobreviver apesar de todos esses inimigos naturais e outros, pode
viver até por uns seis anos e chegar a 25 centímetro.
Reprodução,
hibernação e a busca de alimentos
A reprodução ocorre entre maio e julho e às
vezes a fêmea tem uma segunda ninhada em agosto ou setembro. Depois de um
período de gestação de quatro a seis semanas nascem de três a quatro filhotes,
cada um pesando menos de 30 gramas. Cegos e surdos, eles são muito vulneráveis
por duas semanas após o nascimento. A partir daí o pêlo macio vai sendo aos
poucos substituído por espinhos, e os ouricinhos também vão adquirindo a
capacidade de se enrolar totalmente. Se forem perturbados antes dessa fase, de
repente pulam no ar e soltam um silvo agudos, o que costuma assustar os
predadores.
A gordura acumulada durante os meses quentes
sustenta o animal durante a hibernação. Nesse período, a temperatura corporal
cai bastante e a respiração se torna quase imperceptível. Uma glândula especial
de hibernação controla a temperatura corporal. Se fica muito baixa, glândula
produz mais calor, suficiente para alertar o ouriço a procurar um lugar mais
quente e protegido. Mesmo durante o sono hibernal, o animal não fica totalmente
alheio ao que ocorre ao redor. Qualquer som próximo é detectado, o que faz com
que ele se movimente um pouco.
Se confinado num quintal, o ouriço-cacheiro
arruma logo um jeito de escapar subindo o muro, a cerca ou até mesmo saindo
pelo cano de esgoto, porque precisa de amplo espaço livre pra procurar
alimento. Por esta razão, é um animal silvestre, dificilmente domesticado. E
talvez seja melhor assim, pois na natureza o ouriço-cacheiro em geral está
repleto de pulgas. Mas encontrar esses bichinhos cativantes e engraçadinhos
numa caminhada pelas matas é sempre muito interessante, e enche o meu coração
de apreço e gratidão pelo nosso criador, DEUS.
Da
revista “Despertai!” Pag. 15 a 17. De 22/04/2003
segunda-feira, 4 de março de 2013
CONHEÇA O GALGO IRLANDÊS
“O Gigante gentil do mundo dos cães.”
Essa é uma das descrições do galgo irlandês.
Conhece essa raça de cão? No passado havia lobos na Irlanda, além de javalis e
alces gigantescos, hoje todos extintos. Dizem que o ultimo lobo da Irlanda foi
morto há uns 200 anos. Antes disso, os galgos irlandeses eram famosos por caçar
tantos lobos quantos outros animais de grande porte. Há uma história mais
recente sobre um galgo enviado para as montanhas rochosas, nos Estados Unidos.
Em 1892, conta a história, ele ”matou sozinho quarenta lobos em um inverno”.
Mas não se preocupe. Esses cães não caçam nem matam pessoas.
Segundo alguns historiadores, os galgos
talvez já fossem comuns na Irlanda por volta de 500 AC. Mais tarde, os celtas
não os usavam só na caça: as lendas e a história contam que os cães também iam
às batalhas com reis e os guerreiros irlandeses.
A fama dos galgos irlandeses, de serem de uma
raça muito especial, correu mundo. Foram levados até Roma e apresentados na
arena. Há registros de uma carta escrita em 393 DC por um cônsul romano, Quinto
Aurélio Símaco, agradecendo seu irmão por enviar sete galgos irlandeses para
Roma. Parece que os romanos ficaram bem entusiasmados com esses cães. “toda a
Roma os olhava com admiração”, escreveu Símaco, “e imaginava que deveriam ter
sido trazidos em jaulas de ferro”.
Talvez tenha sido o grande porte desses cães
que fez as pessoas acharem que seria necessário transportá-los em jaulas de
ferro. Os machos atingem cerca de 86 centímetros na cernelha (ombros), mas
alguns são muito maiores. O alto galgo irlandês de que se tem registro tinha
mais de um metro de altura na cernelha. As fêmeas em geral são um pouco mais
baixas. Com essa altura, é mais fácil para eles conseguir comida. O novelista
escocês Sir Walter Scott avisou um de seus amigos para ter cuidado na hora de
jantar. Senão, seu galgo irlandês, que tinha “cerca de dois metros de
comprimento da ponta do focinho à cauda”, poderia “comer-lhe o prato sem nem
dar ao trabalho de colocar a pata na mesa ou na cadeira”.
Quando nascem, os galgos irlandeses são bem
pequenos – pesam apenas uns 700 gramas -, mas crescem bem rápido. Uma
proprietária apaixonada por esses animais diz que os filhotes são “criaturinhas
fascinantes”, mas que “com rapidez surpreendente as bolinhas fofas (se
transformam) em criaturas desengonçadas, de pêlo macio e pernas compridas”.
Eles não latem muito, são meio calados. Mas
quando o fazem, é um som inesquecível. Dizem que, quando certo homem ouviu um
galgo irlandês latir, afirmou que era “o latido mais grave e melancólico que já
(ouvira)”.
O galgo irlandês já foi descrito como
cachorro “de olhar feroz e penetrante, sobrancelhas grossas e pelagem áspera,
cinza-escura” – aparentemente o tipo de cão que você desejaria evitar. Mas
dizem também que ele é “tão manso que até as crianças podem brincar com ele”.
Um criador experiente disse que ele é, de fato, “extremamente carinhoso”. E
além, de cinza ele pode ter outras cores, como branco, castanho-dourado, ruivo
ou preto.
Famoso escritor irlandês Oliver Goldsmith
cobriu-o de elogios. “O grande galgo irlandês”, disse ele, “e extremamente belo
e majestoso..., o maior canino do mundo”. Ele ficou obviamente impressionado
com o belo pêlo áspero e com as sombrancelhas, as pestanas e os bigodes que lhe
dão o que foi chamado de “legitima expressão irlandesa”.
Por que, então, a raça quase desapareceu? Um
motivo foi sua popularidade. Os admiradores consideravam-no um presente valioso
que podiam dar para gente importante, como monarcas. Assim, foram “requisitados
e enviados para o exterior, a todos os cantos do mundo”, espalhado-se em
pequenos números por toda parte. Além disso, depois que deixaram de ser
utilizados como caçadores de lobos na Irlanda, passaram a ser negligenciados
como espécie.
Em 1839, um fã do galgo irlandês registrou a
triste situação da raça nas seguintes palavras: “Deve ser motivo de tristeza
que essa nobre raça de cão esteja rapidamente desaparecendo e, em poucos anos,
sem dúvida ficará extinta a menos que se façam esforços extraordinários.” Havia
tão poucos galgos irlandeses que não era incomum as pessoas afirmarem que o seu
animal era “o ultimo da sua raça”. Mas a raça sobreviveu.
Foi salva pelos “esforços extraordinários” de
pessoas como George A. Graham. Em 1862, ele ficou sabendo da situação
lamentável dessa raça e juntou todos os galgos remanescentes que pôde encontrar.
Pelo cruzamento cuidadoso, conseguiu recuperar a raça. Sem a ajuda desse homem,
disse um historiador em 1893, “provavelmente essa relíquia canina de uma raça
forte já estaria extinta”.
Uma admiradora da raça, a respeitada criadora
de galgos irlandeses Phyllis Gardner, escreveu: “Não se pode ter certeza de
nada neste mundo, mas parece que, a menos que haja alguma catástrofe, essa raça
nobre está a salvo da extinção e ficará cada vez mais popular.”
Da
Revista Despertai de 08/11/1999 Pag. 21,22.
domingo, 3 de março de 2013
Cantiga para não morrer
Quando você for se embora,
moça branca como a neve,
me leve.
Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração.
Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar.
E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina branca de neve,
me leve no esquecimento. Ferreira Gullar
sábado, 2 de março de 2013
Canção do Exílio
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite
— Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu´inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Gonçalves Dias
sexta-feira, 1 de março de 2013
Tarde no Recife
Tarde no Recife.
Da ponta Maurício o céu e a cidade.
Fachada verde do Café Máxime.
Cais do Abacaxi. Gameleiras.
Da torre do Telégrafo Ótico
A voz colorida das bandeiras anuncia
Que vapores entraram no horizonte.
Tanta gente apressada, tanta mulher bonita.
A tagarelice dos bondes e dos automóveis.
Um carreto gritando — alerta!
Algazarra, Seis horas. Os sinos.
Recife romântico dos crepúsculos das pontes.
Dos longos crepúsculos que assistiram à passagem
[dos fidalgos holandeses.
Que assistem agora ao mar, inerte das ruas tumultuosas,
Que assistirão mais tarde à passagem de aviões para as costas
[do Pacífico.
Recife romântico dos crepúsculos das pontes.
E da beleza católica do rio.
Joaquim Cardoso
poeta recifense
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
Imagens do Nordeste
Sobre o capim orvalhado
Por baixo das mangabeiras
Há rastros de luz macia:
Por aqui passaram luas,
Pousaram aves bravias.
Idílio de amor perdido,
Encanto de moça nua
Na água triste da camboa;
Em junhos do meu Nordeste
Fantasma que me povoa.
Asa e flor do azul profundo,
Primazia do mar alto,
Vela branca predileta;
Na transparência do dia
És a flâmula discreta.
És a lâmina ligeira
Cortando a lã dos cordeiros,
Ferindo os ramos dourados;
– Chama intrépida e minguante
nos ares maravilhados.
E enquanto o sol vai descendo
O vento recolhe as nuvens
E o vento desfaz a lã;
Vela branca desvairada,
Mariposa da manhã.
Velho calor de Dezembro,
Chuva das águas primeiras
Feliz batendo nas telhas;
Verão de frutas maduras,
Verão de mangas vermelhas.
A minha casa amarela
Tinha seis janelas verdes
Do lado do sol nascente;
Janelas sobre a esperança
Paisagem, profundamente.
Abri as leves comportas
E as águas duras fundiram;
Num sopro de maresia
Viveiros se derramaram
Em noites de pescaria.
Camarupim, Mamanguape,
Persinunga, Pirapama,
Serinhaém, Jaboatão;
Cruzando barras de rios
Me perdi na solidão.
Me afastei sobre a planície
Das várzeas crepusculares;
Vi nuvens em torvelinho,
Estrelas de encruzilhadas
Nos rumos do meu caminho.
............................................................
Salinas de Santo Amaro,
Ondas de terra salgada,
Revoltas, na escuridão,
De silêncio e de naufrágio
Cobrindo a tantos no chão.
Terra crescida, plantada
De muita recordação.
Por baixo das mangabeiras
Há rastros de luz macia:
Por aqui passaram luas,
Pousaram aves bravias.
Idílio de amor perdido,
Encanto de moça nua
Na água triste da camboa;
Em junhos do meu Nordeste
Fantasma que me povoa.
Asa e flor do azul profundo,
Primazia do mar alto,
Vela branca predileta;
Na transparência do dia
És a flâmula discreta.
És a lâmina ligeira
Cortando a lã dos cordeiros,
Ferindo os ramos dourados;
– Chama intrépida e minguante
nos ares maravilhados.
E enquanto o sol vai descendo
O vento recolhe as nuvens
E o vento desfaz a lã;
Vela branca desvairada,
Mariposa da manhã.
Velho calor de Dezembro,
Chuva das águas primeiras
Feliz batendo nas telhas;
Verão de frutas maduras,
Verão de mangas vermelhas.
A minha casa amarela
Tinha seis janelas verdes
Do lado do sol nascente;
Janelas sobre a esperança
Paisagem, profundamente.
Abri as leves comportas
E as águas duras fundiram;
Num sopro de maresia
Viveiros se derramaram
Em noites de pescaria.
Camarupim, Mamanguape,
Persinunga, Pirapama,
Serinhaém, Jaboatão;
Cruzando barras de rios
Me perdi na solidão.
Me afastei sobre a planície
Das várzeas crepusculares;
Vi nuvens em torvelinho,
Estrelas de encruzilhadas
Nos rumos do meu caminho.
............................................................
Salinas de Santo Amaro,
Ondas de terra salgada,
Revoltas, na escuridão,
De silêncio e de naufrágio
Cobrindo a tantos no chão.
Terra crescida, plantada
De muita recordação.
Joaquim Cardoso
poeta recifense
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
O TREM
Na década de 60, o agente dos correios, o Sr.
Lino, chegando de Cedro em seu Jipe, paro-o em frente à oficina de João Alves e
disse-lhe: “ô João, tem um trem quebrado no Cedro e já faz muitos dias. Os
técnicos da REFESA e mecânicos de Fortaleza já tentaram de tudo quanto é jeito,
mas não consertaram. Aí eu caí na besteira de apostar que tu consertava e vim
te buscar”. João Alves achando a história complexa disse-lhe que ia apenas ver
como era, pois não prometia consertá-lo já que nunca tinha visto uma máquina
daquela. E se foram.
Chegando ao local, um dos engenheiros
irritado disse: “esse matuto aí, deixo mexer não”. O chefe da estação, que
havia apostado com Sr. Lino, tratou de possibilitar a vistoria de João Alves na
máquina do trem. Ele observou por algum tempo aquela fantástica máquina e
percebeu que um certo pino deslocado do seu local adequado, obstruía o
movimento rotativo do trem. Pediu uma marreta e com duas pancadas recolocou o
pino no local de origem e disse; “solta o vapor”. O trem voltou a funcionar
normal, o engenheiro pediu desculpas a João Alves, seu Lino ganhou a aposta e
foi a maior festa. Ainda hoje se comenta esta façanha do Mestre João Alves.
Cesário Ney
Do
seu livrinho “João Alves Um gênio no seu tempo”. Pag. 07. Ano 2004.
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