sábado, 22 de outubro de 2011

BRUNO PEDROSA - Imagem de todo canto


Em Presságios, sua terceira exposição em Fortaleza, o artista plástico Bruno Pedrosa




Presságios traz desenhos e pinturas que formam uma espécie de jogo de ligar os pontos entre o passado e o presente do artista (CAMILA CAMPOS)

Uma conversa mais demorada com Bruno Pedrosa e é possível perceber uma inflexão italiana sobre o modo de falar tipicamente nordestino. O sotaque único é resultado de 20 anos morando em Bassano del Grappa, Itália, mas sempre com o coração voltado para as raízes fincadas às margens do Riacho do Machado, em Lavras da Mangabeira, no interior do Ceará. Artista plástico desde sempre, segundo o próprio, é das muitas influências e andanças que ele tira o sumo que usa para compor seu trabalho.

Isso pode ser comprovado na exposição itinerante Presságios, aberta hoje no Espaço Cultural da Universidade de Fortaleza (Unifor) e que fica em cartaz até o próximo 22 de dezembro, com visitação gratuita. Em seguida, parte para o Lucca Center of Contemporary Art (LuCCA), na Itália, e o Museu do Ingá, Rio de Janeiro. Aos 61 anos, Bruno Pedrosa já conta inúmeras exposições pelo mundo, incluindo Estados Unidos, Portugal, Espanha e Alemanha. Em Fortaleza, esta é sua terceira mostra e, segundo ele, a mais importante. “Com o tempo que eu tenho de trabalho, digo que essa é a mais importante porque é a mais madura”, explica ele, durante um passeio entre as obras.

Entre-lugares
Presságios traz desenhos e pinturas que formam uma espécie de jogo de ligar os pontos entre o passado e o presente do artista. Segundo o curador da mostra, o crítico de arte e museólogo italiano Maurizio Vanni, é possível perceber o que existe de brasileiro e o que existe de italiano nas obras de Bruno Pedrosa. “A forma, a luz, a superfície, tem algo bem do italiano. Mas as cores fortes e a tinta espessa, isso é bem brasileiro”. Para o artista, essas misturas são necessárias, desde que venham naturalmente. “Você não nasce como um cogumelo. Tudo vem no subconsciente. É como assoviar caminhando na chuva”.

Mesmo que tenha se afastado há tantos anos de sua terra natal, Bruno procura levá-la de alguma forma por onde vai. Tanto é que toda a exposição é dedicada ao seu pai, Manoel Pinheiro Pedrosa. Da mesma forma, as lembranças do interior nordestino também caminham entre as telas. Assim, é possível ver parte de uma coleção de 70 peças batizadas com nomes de praias cearenses, e seis bicos de pena (técnica de desenho) com os nomes das seis fazendas do pai. “Até os 12 anos, eu queria ser vaqueiro. Lembro bastante da minha convivência com os trabalhadores das fazendas do meu avô. Não tenho dúvida que tenho alma de vaqueiro”.

Não concordando com o termo “abstrato”, Bruno Pedrosa prefere usar “neo-figurativo”, para explicar seu trabalho. “Eu poderia fazer literatura sobre o meu trabalho, mas não quero. Eu vejo a tela no cavalete e me boto ali”. Quanto às misturas de tantas culturas impressas entre as cores, ele explica com uma filosofia dita pelo avô quando viu o neto triste de saudade por saber que iria partir para o Rio de Janeiro para estudar Artes Plásticas, e se afastar fisicamente da família. “Um homem pode viver acima ou abaixo do Equador, mas o mundo é mundo em toda a dimensão da sua bola”.

Quem

ENTENDA A NOTÍCIA

Nascido em Lavras da Mangabeira, Ceará, o artista plástico Bruno Pedrosa formou-se em Belas Artes, Arqueologia e Filosofia. Morando há 20 anos na Itália, seus trabalhos fazem parte de acervos públicos e privados em São Paulo, Nova York, Madri e outras cidades

Serviço

Presságios
O quê: exposição de obras do artista plástico cearense, radicado na Itália, Bruno Pedrosa.
Quando: de hoje (20) a 22 de dezembro, visitação de terça a sexta-feira, das 8h às 20h, e aos sábados e domingos das 10h às 18h.
Aberto ao público
Outras informações e agendamento de visitas: 3477 3319
Estacionamento próprio e gratuito no local


Marcos Sampaio
marcossamapaio@opovo.com.br

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