quinta-feira, 14 de abril de 2011

PADRE ANTÔNIO BATISTA VIEIRA (1910-2003)


O Padre ANTÔNIO BATISTA VIEIRA (1910-2003) foi Vigário do Icó de 1953 até 1964. Foi por certo o maior intelectual dentre os vários párocos de Icó. O mais conhecido nacionalmente através de sua obra clássica “O Jumento, Nosso Irmão”, imortalizado na música cantada por Luiz Gonzaga:

“É verdade, meu senhor / Essa estória do sertão /Padre Vieira falou / Que o jumento é nosso irmão”

Conhecido como "Padre Vieira", este homem foi um apêndice na longa tradição de quase 300 anos de padres carrancudos que o Icó teve e até os dias atuais, não obstante ser esquecido por lá, ninguém o sucedeu em intelectualidade.

Nascido em Várzea Alegre, Ceará, em 14 De Junho de 1910, no Sítio Lagoa dos Órfãos, no Sopé da Serra dos Cavalos. Filho de Vicente Vieira da Costa e Senhorinha Batista de Freitas, agricultores pobres do Cariri.


Ainda criança foi enviado ao Seminário do Crato, seguindo anos depois da formação inicial para o Seminário da Praínha, em Fortaleza, onde cursou Filosofia e Teologia, sendo ordenado presbítero em 27 de setembro 1942 pelas maõs de dom Francisco de Assis Pires (11/08/1931 a 11/07/1959), Bispo do Crato.


Em 1953 foi trasferido para Icó, ali ficando ate 1964, onde lançou duas obras: Cem Cortes, Sem Recortes (1963), obra crítica, particularmente às coisas públicas e governamentais e O Jumento Nosso Irmão (1964), que o tornaria uma celebridade nacional e até internacional.

Coadjuvaram a este Sacertote no mister pastoral do Icó os padres Djalvo de Alencar Bezerra, que seguiria para Orós e o José Alves de Macêdo, que o sucederia.

De Icó o Padre Vieira rumou aos Estados Unidos, graduando-se pela Universidade da Califórnia em Administração de Empresas, especializando-se em Economic and Social Research Planning o que lhe deu bases intelectais sólidas sobre a situação ecômica e social do Brasil.


Retornando ao Brasil, em plena Ditadura Militar este homem, excelente orador, de mente aguda e língua afiada, com ideias subsersivas candidatou-se a Deputado Federal pelo MDB, eleito teve o seu mandato cassado pelo AI-5 em 17 de janeiro de 1968. Fato que, certamente, o tornou proscrito nos círculos sociais do Icó, dominado deste 1964 pela ARENA. Onde estavam os seus antigos amigos e aliados do Icó? No lado governista! Tanto o é que até hoje, em plena Democracia pouco se sabe por lá que aquele valoroso sacerdote foi um de seus pastores. Pobre Icó. com muita história e sem memória. http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/86950.html


Entre 1970 e 1974, já com 64 anos, cursou Direito na Universidade do Rio de Janeiro e licenciou-se em Filosofia, Ciências e Letras. Um exemplo para a nossa juventude.

Morreu em dia 19 de abril de 2003.

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Icó não lhe prestou – ao que se saiba, uma única homenagem à sua memória.

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Na sacristia da Expectação tem uma foto sua no meio dos outros padres e bispos, sem um indicativo - como os outros - de quem ele é.


.OBRAS:


100 Cortes sem Recortes (1963);

O Jumento, nosso irmão (1964);

O verbo amar e suas complicações (1965) ;

Sertão brabo (1965);

Mensagem de Fé para quem não tem Fé (1981);

Penso, logo desisto (1982);

Pai nosso (1983);

Bom dia, meu irmão (1984);

Porque fui cassado (1985);

Gramática do absurdo (1985);

A Igreja, o Estado e a questão social (1986);

A família (evolução histórica, sociológica e antropológica) (1987);

Senhor, aumentai a minha Fé (1989);

Eu e os outros (1987);

Roteiro lírico e místico sobre Juazeiro do Norte (1988).

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