segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

VÁRZEA ALEGRE E A CULTURA DOS CONTRASTES




  Várzea Alegre uma pequena cidade do sertão cearense, que dista uns 400 km de distância de nossa capital Fortaleza. Conta-nos a história que no princípio do século XVIII, dois irmãos portugueses, o capitão Agostinho Duarte Pinheiro e o alferes Bernardo Duarte Pinheiro, chegando ao Ceará, associaram-se com o cearense Vasco da Cunha Pereira, para solicitarem umas datas de sesmarias às margens do riacho do Machado, naquela época denominado riacho do Coroatá. Por despacho de 23 de fevereiro de 1718 foi lhe concedida à data citada, numa extensão de nove léguas, com uma légua para cada lado do referido riacho.
Decorridos aproximadamente dois anos, acompanhados de alguns amigos, resolveram fazer uma excursão ao longo de sua propriedade; chegando ao local onde existia uma lagoa, toda circundada por floresta virgem, onde havia pássaros em grande quantidade e de várias espécies, ficaram parados, a contemplar aquela paisagem maravilhosa, divisando uma bela planície de adorável clima e escutando aquele cantar alegre de pássaros; um dos componentes da caravana, admirado com aquele belo e magnífico panorama, proferiu essa concisa e significativa frase: “Que Várzea Alegre!”. Essa frase impressionou a todos que sugeriram que o nome fosse colocado no lugar. Daí originou-se o nome de Várzea Alegre, que foi evoluindo, de fazenda a povoação, a vila, a distrito e até chegar à cidade, e conservou esse nome até os dias atuais sem nunca ter mudado, se tornando um dos poucos municípios que nunca trocou de nome.
  Nossa cidade é rica em cultura em cada beco se encontra um artista, mas tem um fato que ocorreu em nossa cidade que o projetou nacionalmente. No meado do século vinte em nossa pacata cidade nasceu um cidadão por nome de José Clementino. O tempo foi passando, e ele vendo esses casos engraçados e pitorescos, decidiu musicar, e ao terminar a sua obra mostrou ao nosso rei do baião Luiz Gonzaga, que decidiu gravar a música “Os contrastes de Várzea Alegre”, que projetou Várzea Alegre definitivo no Brasil inteiro cognominado de ‘Terras dos contrastes’. Daí por diante a população resolveu aderir esta alcunha que estes contrastes estavam atraindo turistas para conhecerem essa famosa terra. Várzea Alegre hoje se orgulha de seus contrastes, muitos se têm falado aonde um varzealegrense chega já divulga esses contrastes. Quando estamos em outras cidades já nos indagam: “qual o novo contraste?” e por aí vai, e o varzealegrense que é apaixonado por sua terra vai desfilando seus causos sem inventar, mas aumentando.
  Hoje Várzea Alegre tem uma cultura sólida, não é só contrastes que fazem a nossa cultura. Nela temos violeiros, poetas, compositores, pintores, Artistas plásticos, radialistas e jornalistas conhecido em todo Brasil, mas sinto que uma parte precária de apoio é área literária, falta ainda um incentivo maior, e Várzea Alegre é um grande celeiro de poetas, cronistas, romancista e trovador. Temos grandes repentistas, que talvez jazam no esquecimento, temos que pedir para as autoridades competentes que olhem para esses artistas, pois a arte poética é a arte mais bela que existe na humanidade. E nesse memorando venho mostrar um pouco da cultura de nosso povo. Na poesia temos Bidinho (in memorian), Miguel Alves de Lima (in memorian), Joaquim José de Oliveira (in memorian), Israel Batista (também cronista), Cláudio Sousa, Antonio de Oliveira (violeiro), Sinésio Cabral dentre outros. Na prosa temos Padre Vieira (in memorian), doutor José Ferreira (in memorian), Irandé Antunes, Irismar Araripe, Paulo Sérgio Viana Bezerra, etc. Temos que valorizar todas as artes artísticas para que não se crie um novo contraste pejorativo. Várzea Alegre ser a única cidade do estado que não valoriza a sua cultura.

ISRAEL BATISTA 

Nenhum comentário:

Postar um comentário