terça-feira, 31 de maio de 2011

NUMA CIDADE


Moro numa cidade
Aonde o padre viuvo
Brincava com seus netos
E o Bode no mercado
Vendia carnes.
Moro numa cidade
Que o padre foi sepultado
Num dia que não se podia
Missa celebrar.
Moro numa cidade
Aonde o Calango cuidava
Da carcerária do presídio municipal.
Numa cidade onde o jumento é nosso irmão.
Cidade que tinha o cruzeiro isolado
Pegou fogo no gelo
Pense o tamanho do desmantelo!
Cidade que Jesus
É um cabra meio torto
Cagou numa cuia
Bebia na bodega de Santos
E ainda foi intimado.
Terra do arroz
que hoje tá muito escasso
Do sabido acabrunhado
Que tem se destacado
Por esse Brasil afora
Terra que na Esquina de Zé Bitu
Era sinônimo de uma viagem sem volta
Ninguém podia ouvir a frase:
"Não vá dobrar a esquina de Zé Bitu".
Terra que pra entrar em entidades Literárias
Não precisar ter livros publicados
Ou mesmo gostar de escrever
Só precisa gostar de ler
e rabiscar algo no papel.
Minha terra de contrastes
Minha terra de encantos mil
Minha terra és um pedacinho
Escondida no meu Brasil
Eu amo muito você minha terrinha
Não queria te perder
Mas a vida é assim
A gente luta pela nossa terra
Mas ela não pode nos dar o que sonhamos
Então em outros rincões vamos buscar
Nosso sustento, pois a nossa felicidade
Eternamente ficará enterrado nesse solo
Arido, quente e muito feliz.

Israel Batista.

*Esse poema é um desabafo pelos contrastes que não citei diretamente nesse poema e também pela necessidade que todos nós temos que deixar a terrinha pra buscar novos horizontes pelos rincões do país espero que vocês tenham gostado desse singelo poema.

Um comentário:

  1. Muito bom mesmo! É a Terra dos Contrastes! E que contrastes...!

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